sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Não gosto do Natal. Não gosto da hipocrisia de fim de ano em que inimigos se tornam amigos. Não gosto da ideia de um feriado religioso em um país laico. Não gosto da ideia de um feriado religioso ter se tornado tão comercial mantendo ainda a ideia de feriado religioso. Não gosto da apropriação por parte de uma religião de datas festivas em outras religiões. Não gosto da ideia de um ser mítico que entrega presentes a todas as crianças que foram boas o ano inteiro, viajando o mundo inteiro em uma única noite. Não gosto da ideia de enganar uma criança dizendo que esse ser mítico existe. Não gosto dos shoppings lotados.
Mas não é porque não gosto que devo convencer outras pessoas a não gostar. Se esse dia as faz felizes (pelo motivo que for), qual o problema? Aceito outras pessoas terem outras opiniões, outras convicções. Eu sou ateu, mas aceito que outras pessoas tenham suas religiões (digo que sou ateu não praticante).
Por isso, desejo a todos um feliz Natal, assim como desejo que os outros 364 dias (365 nos anos bissextos) também sejam felizes. E que isso fique implícito, mesmo se eu não der um bom dia quando nos vermos (sim, eu não tenho o costume de dar bom dia, e nem por isso sou uma má pessoa, mas tentarei mudar esse costume).
E para manter a tradição dos posts, uma música. Não, não é a do "velho batuta". É Henchman do Bad Religion, que apesar do nome é composta por pessoas boas, como você verá na letra da música, e cujo conselho eu tento seguir e acho que tem muito a ver com esse meu post:

Stranded
In a life in which your struggle for acceptance
Is a never-ending chore,
Upbraided
For your actions past and present and rewarded for the ideas
Of the future's bright open door.
The henchman
Is the human analogue of the suffering multitudes
Who like good dogs sit and lick for their reward.
So what good advice have I got for you
To insure against your likely metamorphosis into this reprobate?
Don't be a henchman,
Stand on your laurels,
Do what no one else does and praise the good of other men
For good man's sake.
And when everyone else in the world follows your lead
(Although a cold day in hell it will surely be)
That's when the entire world shall live in harmony.




sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Expressões baianas que eu não entendo

Bom, sou paulista e moro em Salvador há uns dois anos. Nesse tempo ouvi algumas expressões no mínimo diferentes e que obviamente me leva a pensar "de onde veio".
Uma delas é "quem souber morre". Sempre que escuto essa imagino um chinês tendo um infarto fulminante. O que leva alguem a morrer por saber algo? Era um segredo militar? Em São Paulo a gente diz "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe". Já achava radical ter raiva de alguem por saber algo, mas matar alguem? Isso é que é radicalismo.
Outra expressão bizarra é "menino amarelo", significa menino besta. Pra mim menino amarelo é japinha, e normalmente os japinhas são os primeiros da sala, não tendo nada de besta. E ainda sofrem infartos fulminantes por saberem demais. E mem sei de onde vem esse amarelo, aqui nem tem japonês.
Outra coisa bizarra é a relação do baiano com "porra". Porra é tudo e não é nada ao mesmo tempo. Porra está em todos os lugares e na boca de todo mundo. Mas basta um paulista dizer "caralho" que os baianos se assustam. Sim, meus amigos, baianos fala muuuuuuuito menos palavrões que paulistas. Tirando o onipresente, onipotente e oniciente "porra", claro. Mas baianos, fiquem sabendo que sem caralho não há porra.

domingo, 27 de novembro de 2011

Rugby

Há algum tempo resolvi jogar Rugby. Encontrei um time aqui em Salvador, o Galícia, que treina aos sábados. Foram poucas as vezes que fui, mas gostei bastante de jogar. Em uma semana ralei o joelho direito, na semana seguinte o esquerdo e nessa machuquei o cotovelo. O resultado foi esse:

De Rugby

Nada demais, só muscular, só preciso colocar gelo, tomar um remédio e daqui a pouco estou bem de novo. Já sabia que seria assim e estou disposto a isso. Quando melhorar o braço, lá estarei jogando novamente. Porque o Rugby é isso, você tem que aprender a cair, a levantar, a insistir, a estar sempre ao lado de seus colegas para dar apoio, a passar a bola no momento certo, a proteger seus colegas e tudo isso para alcançar um objetivo, que por acaso chama "try" (tentativa).
O desejo de jogar Rugby não é de hoje, quando entrei na faculdade e vi que tinha um time, até quis me inscrever, mas como os treinos eram tarde da noite e o último ônibus que eu podia pegar para voltar para casa saía as 18h, não pude praticar. Talvez seja só uma desculpa que eu dei a mim mesmo na época, poderia achar outra solução, mas minha cabeça era outra. Hoje não tenho desculpas para não jogar.
E o que aconteceu comigo não foi nada. No Galícia um rapaz me mostrou a tomografia do osso da face que ele quebrou quando levou uma cabeçada durante um jogo. Em 2012 ele voltará a jogar. Machuquei o meu braço porque fiz bobagem, e não conhecia a técnica certa para cair quando levar um tackle. Semana que vem vou lá, nem que seja apenas para aprender o que deveria ter feito. Isso me lembra de uma música do Dead Fish, "Queda Livre":



PS: O Hardcore foi meu primeiro psicólogo (e ainda é!) e citando mais uma música, agora do Pennywise "It is my badge of pride -hardcore 'til the day I die just tryin' to survive I won't back down or apologize Say what you wanna say
I'm not listening anyway I'll believe what I wanna believe true to myself
that's how it's gotta be. "

sábado, 5 de novembro de 2011

One life, one chance

Outro dia lembrei dessa música e resolvi compartilhar. Praticamente um hino!

One Life, One Chance
What if I said, I was an accident waiting to happen
Woudl I trip and fall, fall on my words
And would you say, say that I was wrong
My words were out of place, went where I didn't belong

This to me is fact and fiction plays a role
Confusing situations that I can't control
The heart of matter, it beats with pride
Sometimes I wear it on my sleeve, sometimes I keep it inside

And no one said it was gonna be easy
And I'm not afraid to try
And with the odds stacked up against me, I will have to fight
One life, one chance, gotta do it right!!!

And I can't let fate dictate what's best for me
Gotta take control of my own destiny, you can't relate
You think there's no escape but I got everything at stake
Here just to prove you wrong!

And no one said it was gonna be easy
And I'm not afraid to try
And with the odds stacked up against me, I will have to fight
One life, one chance, gotta do it right!!!



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Medos e decisões

O personagem com o qual eu mais me identifiquei na minha vida foi Shinji Ikari de Neon Genesis Evangelion (que até hoje é meu anime favorito). Um comentário que não esqueço a respeito dele, dita por Misato Katsuragi, é “ele faz tudo o que os outros mandam. É uma forma triste de viver”. Não é à- toa a minha identificação, mas um dia a gente precisa mudar isso.

Juro que não sinto um sentimento real de conquista, mesmo tendo estudado em uma das melhores universidades do país e trabalhando no que dizem ser a maior empresa do país. Parece que foi tudo muito fácil e até muito seguro . O pior é chegar neste ponto e não se sentir satisfeito com a vida, e achar que deveria ter feito outras coisas, um sentimento geral de insatisfação e arrependimento. Um arrependimento de não tentar algo diferente.

Logo que saí da faculdade fui trabalhar em um lugar que não atraía muita gente mas me atraiu. Quem aqui quer trabalhar para o programa aeroespacial brasileiro? Quem aqui sabe que isso existe? Querer ser engenheiro eletrônico no Brasil é um teste na sua convicção de realmente o ser, dadas as poucas oportunidades que existem, pelo menos para trabalhar com desenvolvimento. Saí dessa empresa por algumas razões que não vem ao caso, mas meu pensamento era “eu gostaria de trabalhar com isso, mas infelizmente não tenho oportunidade”. E quem disse que não tenho oportunidade? Só não a tenho no Brasil!

A oportunidade de imigração para Montreal me foi apresentada de sopetão, mas com o tempo e pesquisa percebi que poderia ser uma boa, pra não dizer uma ótima. Primeiro porque poderia voltar a trabalhar na área que gostaria. Segundo que, em termos de cultura, sou muito americanizado e me identifico mais com as coisas de lá que as coisas de cá (tá, Montreal não é EUA, mas é quase). Terceiro, Montreal aparentemente é uma das metrópoles mais baratas para se viver na América do Norte e atrai imigrantes para manter o crescimento econômico.Estive lá em minhas férias, vi que não é perfieto, mas que é bom o suficiente. E então eu me pergunto: por que não?

Existem riscos? Claro, mas acho que a recompensa é grande. E me daria finalmente o sentimento de conquista. Sim, imigrar é algo que quero e quero muito. Muitas pessoas vêm me perguntando se é isso mesmo o que eu quero e testando minha vontade, minha convicção. Sinto lhes dizer, mas é isso sim o que eu quero, doa a quem doer. É difícil para mim dizer isso, não gosto de magoar as pessoas, mas preciso aprender a dar valor as minhas vontades.

Minha professora de francês certa vez me perguntou se eu era ambicioso. Respondi que não. Mas depois percebi que não tenho ambições no Brasil, que não tenho esperanças no Brasil. Minha sensação é que no Brasil você precisa ser malandro para se dar bem. Que o jeitinho que alguns se orgulham é na verdade a coisa que mais me dá nojo. O que dizer de um país que não só aceita Ronald Biggs (http://en.wikipedia.org/wiki/Ronnie_Biggs), como se nega a extraditá-lo e ainda o coloca em cima de um carro alegórico no carnaval do Rio de Janeiro? E o filho pra cantar no trem da alegria. É um sentimento de inadequação em meu próprio país. Como diz minha banda favorita na atualidade, Thursday, “I don’t want to feel this way forever, a dead letter marked return to sender”. Quem sabe inclusive não vejo um show deles em Montreal...

Mas um dia esses medos, de não arriscar, de não sair do seguro, de não querer magoar os outros, precisam acabar. Como diria o Ignite: “fear is our tradition, rise from the sheep we are, face your destinations, or be predetermined”

domingo, 23 de outubro de 2011

Primeiro

Olá,
se você está lendo esse blog, deve me conhecer. Isso é bom, porque assim não preciso me apresentar. Se você não me conhece, como veio parar aqui? E desculpe, mas não vou me apresentar.
Se você está se perguntando "Por que esse nome para o blog?" A resposta é simples: são meus sobrenomes, traduzidos para o português. E se você me conhece mesmo, sabe que muitas vezes pareço um cara amargo, mas no fundo sou um cara bom. Acho que todos temos um pouco disso: momentos amargos e momentos bons, e é sobre isso que quero escrever no blog, o que me faz bem e o que não faz tão bem assim (tipo, um blog sabe, os outros não são assim?).
A foto no fundo é de uma cerveja stout (ah! q vontade de tomar uma Guinness agora...) e é uma das poucas coisas amargas que são boas, assim como o chocolate que tem meu sobrenome, que eu lembrei (alguém lembra de mais alguma coisa amarga gostosa? comente!).
É impressionante a associação sinestésica que fazemos para designar certas características de uma pessoa: amargo, azedo, doce, picante... E assim como na culinária, certas combinações dão certo e certas combinações não. As vezes são surpreendentes (quem nunca ouviu falar de chocolate com pimenta?), mas a única forma que temos de saber se a mistura vai dar certo ou não é tentando. Uma lição que ainda estou aprendendo, mas que já posso tirar algum proveito.
Enfim, pra quem não queria se apresentar acho que já falei muito sobre mim. E você que não me conhece, sabe de pelo menos duas coisas que eu gosto (chocolate e cerveja). Nas próximas postagens vou tentar falar sobre coisas que eu gosto e que eu não gosto, então vocês poderão conhecer mais sobre mim. Mas isso não será hoje, porque já estou sem ideias para escrever. Não terei uma regularidade, escreverei quando achar melhor. E se você gostou, comente, se não, comente também.
Abraços!