segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Medos e decisões

O personagem com o qual eu mais me identifiquei na minha vida foi Shinji Ikari de Neon Genesis Evangelion (que até hoje é meu anime favorito). Um comentário que não esqueço a respeito dele, dita por Misato Katsuragi, é “ele faz tudo o que os outros mandam. É uma forma triste de viver”. Não é à- toa a minha identificação, mas um dia a gente precisa mudar isso.

Juro que não sinto um sentimento real de conquista, mesmo tendo estudado em uma das melhores universidades do país e trabalhando no que dizem ser a maior empresa do país. Parece que foi tudo muito fácil e até muito seguro . O pior é chegar neste ponto e não se sentir satisfeito com a vida, e achar que deveria ter feito outras coisas, um sentimento geral de insatisfação e arrependimento. Um arrependimento de não tentar algo diferente.

Logo que saí da faculdade fui trabalhar em um lugar que não atraía muita gente mas me atraiu. Quem aqui quer trabalhar para o programa aeroespacial brasileiro? Quem aqui sabe que isso existe? Querer ser engenheiro eletrônico no Brasil é um teste na sua convicção de realmente o ser, dadas as poucas oportunidades que existem, pelo menos para trabalhar com desenvolvimento. Saí dessa empresa por algumas razões que não vem ao caso, mas meu pensamento era “eu gostaria de trabalhar com isso, mas infelizmente não tenho oportunidade”. E quem disse que não tenho oportunidade? Só não a tenho no Brasil!

A oportunidade de imigração para Montreal me foi apresentada de sopetão, mas com o tempo e pesquisa percebi que poderia ser uma boa, pra não dizer uma ótima. Primeiro porque poderia voltar a trabalhar na área que gostaria. Segundo que, em termos de cultura, sou muito americanizado e me identifico mais com as coisas de lá que as coisas de cá (tá, Montreal não é EUA, mas é quase). Terceiro, Montreal aparentemente é uma das metrópoles mais baratas para se viver na América do Norte e atrai imigrantes para manter o crescimento econômico.Estive lá em minhas férias, vi que não é perfieto, mas que é bom o suficiente. E então eu me pergunto: por que não?

Existem riscos? Claro, mas acho que a recompensa é grande. E me daria finalmente o sentimento de conquista. Sim, imigrar é algo que quero e quero muito. Muitas pessoas vêm me perguntando se é isso mesmo o que eu quero e testando minha vontade, minha convicção. Sinto lhes dizer, mas é isso sim o que eu quero, doa a quem doer. É difícil para mim dizer isso, não gosto de magoar as pessoas, mas preciso aprender a dar valor as minhas vontades.

Minha professora de francês certa vez me perguntou se eu era ambicioso. Respondi que não. Mas depois percebi que não tenho ambições no Brasil, que não tenho esperanças no Brasil. Minha sensação é que no Brasil você precisa ser malandro para se dar bem. Que o jeitinho que alguns se orgulham é na verdade a coisa que mais me dá nojo. O que dizer de um país que não só aceita Ronald Biggs (http://en.wikipedia.org/wiki/Ronnie_Biggs), como se nega a extraditá-lo e ainda o coloca em cima de um carro alegórico no carnaval do Rio de Janeiro? E o filho pra cantar no trem da alegria. É um sentimento de inadequação em meu próprio país. Como diz minha banda favorita na atualidade, Thursday, “I don’t want to feel this way forever, a dead letter marked return to sender”. Quem sabe inclusive não vejo um show deles em Montreal...

Mas um dia esses medos, de não arriscar, de não sair do seguro, de não querer magoar os outros, precisam acabar. Como diria o Ignite: “fear is our tradition, rise from the sheep we are, face your destinations, or be predetermined”

domingo, 23 de outubro de 2011

Primeiro

Olá,
se você está lendo esse blog, deve me conhecer. Isso é bom, porque assim não preciso me apresentar. Se você não me conhece, como veio parar aqui? E desculpe, mas não vou me apresentar.
Se você está se perguntando "Por que esse nome para o blog?" A resposta é simples: são meus sobrenomes, traduzidos para o português. E se você me conhece mesmo, sabe que muitas vezes pareço um cara amargo, mas no fundo sou um cara bom. Acho que todos temos um pouco disso: momentos amargos e momentos bons, e é sobre isso que quero escrever no blog, o que me faz bem e o que não faz tão bem assim (tipo, um blog sabe, os outros não são assim?).
A foto no fundo é de uma cerveja stout (ah! q vontade de tomar uma Guinness agora...) e é uma das poucas coisas amargas que são boas, assim como o chocolate que tem meu sobrenome, que eu lembrei (alguém lembra de mais alguma coisa amarga gostosa? comente!).
É impressionante a associação sinestésica que fazemos para designar certas características de uma pessoa: amargo, azedo, doce, picante... E assim como na culinária, certas combinações dão certo e certas combinações não. As vezes são surpreendentes (quem nunca ouviu falar de chocolate com pimenta?), mas a única forma que temos de saber se a mistura vai dar certo ou não é tentando. Uma lição que ainda estou aprendendo, mas que já posso tirar algum proveito.
Enfim, pra quem não queria se apresentar acho que já falei muito sobre mim. E você que não me conhece, sabe de pelo menos duas coisas que eu gosto (chocolate e cerveja). Nas próximas postagens vou tentar falar sobre coisas que eu gosto e que eu não gosto, então vocês poderão conhecer mais sobre mim. Mas isso não será hoje, porque já estou sem ideias para escrever. Não terei uma regularidade, escreverei quando achar melhor. E se você gostou, comente, se não, comente também.
Abraços!